Falar sobre a filosofia tântrica na cultura em que vivemos, além de ainda ser um tabu, leva muitos pensamentos em direções totalmente opostas ao real significado dessa filosofia comportamental. Como nossa sociedade ocidental sofreu diversas influências culturais, religiosas, ancestrais estamos ainda enraizados há muito conceitos onde falar sobre sexo ainda está ligado ao errado, sujo, pecaminoso, obsceno, mecânico, pornográfico.
O tantra nos trás a ideia de que o sexo é divino, no tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo, mas como um meio para o conhecimento, para o Tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. O orgasmo pleno só pode ser atingido por meio do conhecimento do próprio corpo.
A Filosofia Tântrica
Shiva é inabalável: a ele pertencem o Ser e a Consciência; à Shakti correspondem o movimento, a mutabilidade e a geração. Esses dois princípios se representam na iconografia do tantrismo unidos no viparíta maithuna: Shiva aparece sentado, imóvel, enquanto Shakti está sempre sobre ele, ativa no ato da manifestação
O Tantra Original proporciona a “Visão Sistêmica”, que oferece aos praticantes um modelo que permite a interação com outros organismos biológicos e outros sistemas de vida multidimensionais e pluridimensionais.
As práticas tântricas permitem ampliar a capacidade de liberação e de expansão da energia, agregando, com a experiência, um novo estado de percepção e consciência.
No tantra a união entre um casal simboliza a união entre Shiva e Shakti, sendo este, o ápice da união sexual de ambos, simbolizando o maithuna.
Ato sexual ritualizado, é o processo final, onde se é necessário uma preparação anterior muito séria e competente através do Yoga Tântrico ou outras práticas Tântricas – Tantra Sadhána.
O maithuna é considerado como o auspicio maior de todas as cerimônias tantricas, é a mais poderosa e secreta técnica mística de todos os tempos. Essa técnica também é conhecida como Shaktização pois os praticantes encarnam a consciência de Shakti a grande mãe ou se busca a união dos princípios masculinos e femininos – os opostos. É o Maha Mudrá (grande gesto) onde homem-Shiva e mulher-Shakti se tornam um (1).
Muitos no Ocidente consideram o Maithuna como simples magia sexual, onde se busca o aperfeiçoamento sexual e erótico entre as pessoas, não compreendem, ainda, a magia ritualística contida no mesmo.
Maithuna é uma técnica muito especial, que permite elevar nossa sensibilidade a tal potência que é impossível descreve-la. O tântrico observador da natureza íntima contida em tudo no universo, procura na união dos pólos opostos à unidade maior, sem se ocupar em confusões de abordagem ética e moral. O tântrico é um libertário. Busca a transcendência do eu através da força máxima do universo que está contida nos mistérios sexuais e esses mistérios estão contidos dentro e fora do homem. São os impulsos magnéticos, a atração magnética, o amor e a atração entre os opostos. São o animus e a anima em busca da perfeição.
Durante a prática (shadaná) o homem assume o papel de Shiva e a mulher de Shakti e ambos realizam o maha yantra (grande símbolo) que os une em Purusha (consciência cósmica). A prática eleva a grande mãe kundalini pelo canal Sushuma e ilumina a consciência tocando os centros superiores.
Fonte: Paraíso Tantra
