O estresse nosso de cada dia


Foto: Alexas Fotos/Pixabay

A menos que no momento alguém esteja em profunda meditação, vivendo em algum mosteiro budista, beneditino ou seja uma das Carmelitas reclusas e afastadas das sensações e provocações urbanas, é provável que esteja passando por algum tipo de estresse, seja bom ou ruim, mas com adrenalina a mil correndo pelo corpo. E a contar pelos últimos acontecimentos que transitam da insegurança, das expectativas, as emoções e tensões à flor da pele, por conta da pandemia, dos rumos políticos, econômicos e sociais, é muito provável que a nação brasileira se enquadre nesse quadro estressante tão revelador do século XXI.

Pesquisa divulgada pelo Instituto de Psicologia e Controle do Stress, realizada on-line com 2.195 brasileiros, de 18 a 75 anos, sendo 25,65% do sexo masculino e 74,35% do feminino de todo o país, revelou que 63% deles não sabem lidar com o estresse e que, 34,26%, numa escala de 8 a a10 pontos, indicaram que estão extremamente estressados.

Ao contrário do que se acredita, não são as dificuldades financeiras, ou o trânsito, ou a sobrecarga de trabalho que ranqueiam o motivo gerador do maior estresse, segundo o estudo. os entrevistados apontaram a questão do relacionamento como o fator primordial. Dificuldades financeiras ficaram em segundo lugar e sobrecarga de trabalho, em terceiro.

Relacionamento! Seja em família, entre amigos, entre desconhecidos, no local de trabalho, nas áreas de convivência, não importa, as pessoas não estão conseguindo interagir mais umas com as outras como em outros tempos, com cordialidade, respeito e educação.

O egoísmo e a intolerância estão presentes nas relações de tal forma que os relacionamentos estão se tornando cada vez mais rápidos, superficiais, frios e descartáveis. Grande parte das pessoas não quer saber de criar laços com ninguém, ao contrário, podendo dar um nó para dificultar as coisas ou impedir o fluxo natural da relação, estão optando pelos vários nós.

Olhar para o entorno e ver que existem outras pessoas com necessidades iguais ou até maiores suscita uma atitude proativa da pessoa em dar um passo ao encontro de quem precisa. E aqui, o "precisar" é muito abrangente, não se restringe apenas às questões materiais. Precisar por exemplo, de uma palavra amiga, de um conselho, um sorriso, um aceno positivo, um olhar terno, um aperto de mão, um abraço, uma gentileza, de apenas ser ouvido.

Quando se chega a 4,02% dos entrevistados considerando que está experimentando estresse extremo (nota 10 na escala de 10 pontos), a situação é preocupante, afirma a diretora do Instituto, que também conduziu o estudo. Segundo a pesquisa, 61,21% acham que conseguem lidar com os seus estressores apenas parcialmente e 2,52% acreditam que não conseguem lidar de modo algum com o que os estressa.

Pouco mais da metade dos participantes (52,28%), disseram já ter o diagnóstico de estresse. Ainda, 55,60% sofrem de ansiedade, 23,20% de depressão e 10,37%, já tiveram ou ainda têm crises de pânico.

Diante desse quadro, eles disseram que não estão acomodados, que criam estratégias para tentar sobreviver a este estado permanente de angústia. Alguns procuram conversar com os amigos, dentro da família, os que podem procuram ajuda profissional , outros se apegam às orações, ou se entregam ao consumo, ou ainda se jogam numa alimentação exacerbadas procurando compensar com algo que os deixem menos ansiosos. Mas o fato é, quase 35% deles foram categóricos: seu nível de estresse está no limite.

A situação é preocupante sim, porque esse comportamento estressante nada saudável, está se banalizando cada vez mais e estamos incorporando de forma negativa em nosso dia a dia, para justificar a nossa intolerância, a nossa impaciência, o nosso egoísmo e a nossa pouca vontade de mudar de faixa de vibração.

Não dá mais pra aceitar que ganha o jogo quem gritar mais alto!

Fonte: Gazeta Digital